Sem
previsão na legislação brasileira, a pena de morte é considerada
aceitável por 57,5% dos fortalezenses. Trata-se do maior índice do País.
É o que mostra pesquisa feita pelo Núcleo de Estudos da Violência
(NEV) da Universidade de São Paulo (USP). Onze capitais foram
consultadas. Os dados foram divulgados ontem.
Porto
Alegre (RS) aparece em segundo lugar no ranking, com 52,2% de apoio
popular à pena de morte. Salvador (BA) ocupa a terceira posição, com
50,8% dos entrevistados. O ranking cita Belém (PA), com 46,8%; Manaus
(AM), com 45,3%; São Paulo (SP), com 45%; Recife (PE), com 44,8%; Rio
de Janeiro (RJ), com 36,7%; Goiânia (GO), com 36,5%; Belo Horizonte
(MG), com 36,2%; e Porto Velho (RO), com 32,5%.
A
rejeição da capital cearense à medida foi de 41,9%. É o segundo menor
número, atrás apenas dos 39,9% gaúchos. Somente 0,6% dos 301
entrevistados de Fortaleza não se posicionou quando indagado se
considera “aceitável um governo ter pena de morte”. A maior recusa
ocorreu em Porto Velho (63,6%).
No
mundo, 18 países executam condenados judicialmente. “Fortaleza
apresentou crescimento de 91% na taxa de mortes por agressão, passando
de 22,2 óbitos por 100.000 habitantes, em 1996, para 42,5 por 100.000
habitantes, em 2010”, cita o pesquisador do Laboratório de Estudos da
Violência (LEV) da UFC, Ricardo Moura, que acrescenta: “Muito
possivelmente, a concordância com métodos mais extremados de combate à
criminalidade, como a pena de morte, pode ser explicada pelo aumento da
sensação de insegurança, aliada a um sentimento de impotência diante
da ação governamental”.
Vice-presidente
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Ceará, Júlio Ponte diz que
esses dados representam necessidade de profunda preocupação com a
confiança da sociedade na Justiça. “Os elementos evidenciam duas
situações: a sociedade não acredita mais nos poderes constituídos e a
morosidade da Justiça enseja um sentimento de impunidade. Se tivéssemos
uma Justiça séria, não teríamos esse resultado”, defendeu.
Para
Celina Ramalho, pesquisadora do LEV, a pesquisa demostra que, quando
todas as classes sociais são vítimas da violência, a sociedade pede
punições imediatas e mais severas. “É o lema de só ser possível
resolver a violência com extremos. É preciso repensar a forma como a
segurança é apresentada. É necessário maior diálogo e prestação de
contas com a sociedade”. (Colaborou Angélica Feitosa).
ENTENDA A NOTÍCIA
Especialistas
apontam resultado como reflexo da falta de credibilidade das
instituições que investigam e punem criminosos. Matar seria uma saída
mais prática e menos burocrática que seguir ritos processuais da
Justiça.
Saiba mais
O
POVO tentou falar com representantes da Secretaria da Segurança
Pública do Ceará, mas ligações feitas para a assessoria do órgão e para
o delegado-geral da Polícia Civil no Estado, Luiz Carlos Dantas, não
foram atendidas.
Em
todo o País, 4.025 pessoas foram entrevistadas pela USP entre 15 e 29
de maio de 2010. Os dados foram divulgados ontem. Belém teve 203
participantes, Belo Horizonte, 301; Fortaleza, 301; Goiânia, 203;
Manaus, 203; Porto Alegre, 203; Porto Velho, 203; Recife, 203; Rio de
Janeiro, 700; Salvador, 301; e São Paulo, 1.204.
Coordenadora
do Cedeca, Nadja Bortolotti pondera que confissões sob tortura não
devem ser consideradas em processos. Segundo ela, jovens submetidos a
maus tratos desenvolvem, em geral, desejo de vingança. Cria-se, então,
um ciclo vicioso de violência.
O
relatório da USP aponta que “a exposição à violência estimularia um
desligamento moral, hostilidade em relação ao outro e uma falta de
sensibilidade para com a dor alheia. Esta dessensibilização implicaria
em subestimar as consequências da violência para as vítimas, em
culpar as vítimas pelo que lhes ocorre.”
Fonte: O POVO
CAMOCIM POLÍCIA 24hs

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